
Depois de uma viagem de horas, a carruagem estancou diante da entrada de uma fortaleza. Os portões se abriram para a nossa passagem e entramos. Lá dentro, um castelo escuro e muito alto se erguia. Imediatamente descemos da carruagem e caminhamos na direção da porta de entrada. Após a uma ante-sala, deparamos com um salão imenso. Ao fundo, um trono e, sentado nele, um homem poderoso. Ele vestia uma armadura leve, negra e portava a maior e mais luzidia espada que meus olhos já haviam visto. Maior até do que a do guerreiro hostil da campina.
À volta, haviam muitos soldados e, à direita do trono, um homem coberto por um manto que não deixava à mostra seu rosto. Sua postura e lugar junto ao trono indicavam que ele possuía muitos poderes, como se fosse um conselheiro do Rei.Os soldados e os demais presentes à sala do trono mantinham-se curvos diante do monarca. Eu, me ajoelhei e abaixei a cabeça em sinal de respeito. Ashtar não se ajoelhou, mas se curvou numa leve reverência.
O Rei disse algumas palavras ao homem vestido com o manto e este pegou um colar e me ofereceu como presente. Agradeci com um sorriso, beijei o colar e o coloquei ao pescoço. Enquanto procurava algo que pudesse retribuir tanta gentileza, percebi que Ashtar recebera um colar semelhante e o colocara também.Eram colares idênticos e simples, de cordas finas trançadas, onde estavam enfiadas contas vermelhas parecidas com sementes, ou pedacinhos de madeira pintada. Em agradecimento ao presente, coloquei minha mão direita sobre o coração e fiz um gesto na direção do Chefe Supremo daquele lugar, como se quisesse dizer que meus sentimentos positivos, guardados no coração, seriam dele.
Imediatamente após, do trono, o homem falou algumas palavras ao outro do manto e gesticulou com os braços abertos em linha reta, para o centro. Em seguida, virou -os para baixo e, surpresa, tive a certeza que ele ordenara que fôssemos aprisionados. Neste instante, caímos paralisados ao chão. Nada no meu corpo se mexia, me sentia como se estivesse presa ao solo. Mais algumas palavras, e fomos arrastados pelos soldados através dos corredores do castelo até uma masmorra escura e úmida.
Lá dentro, pude perceber várias correntes pendidas do teto muito alto e algumas camas. Os soldados prenderam nossos pulsos às correntes e ficamos pendurados por elas. Algum tempo depois vimos entrar na masmorra o homem vestido com o manto. Ele trazia um livro, o abriu, começou a ler e gesticular com as mãos e os dedos longos e finos. Em seguida, começou a nos interrogar. Queria saber quem éramos, de onde vínhamos e qual o nosso objetivo ali.Me apresentei como Layla, A Filha da Noite, e disse a ele que tinha vindo do oeste do grande império. Mas, ele me olhou e disse irônico:
_Hummm... cabelos longos e negros, maçãs do rosto proeminentes, olhos amendoados, compleição física delicada... sem dúvida és uma nativa de Catai.
_Não sou quem pensas, Senhor, estás enganado. Estás tendo uma miragem.
Assombrado, Ashtar virou a cabeça na minha direção. Ele já conhecera minha verdadeira identidade, mas não era assim que eu me apresentava naquele momento. Entendemos, então, que os poderes daquele homem eram muito superiores aos que pensávamos, ele sabia quem eu era. A prova disso veio rápida:
_Tudo que vem acontecendo de negativo neste e noutros lugares, vem de ti, criatura. Um grande exército anda atrás da tua cabeça. Mais cedo ou mais tarde tua existência chegará a termo e ficaremos todos muito melhores do que estamos agora.
Antes que eu pudesse dizer algo, ele se dirigiu a Ashtar com as mesmas perguntas que fizera a mim e o meu amigo lhe disse quem era, onde era sua casa, e que tínhamos sido jogados naquele lugar pela força de muitos raios.Satisfeito com o que descobrira, o homem virou as costas e saiu. Eu pensei que pelo menos ali estaríamos protegidos dos raios do sol. Mas, por quanto tempo? Como fugiríamos?
Assim que fomos deixados sós na masmorra, uma voz soou às nossas costas:
_O que fizeram para aqui estarem acorrentados? Sabem que daqui não poderão fugir? Eu já nem me lembro mais de quanto tempo estou nesta masmorra.
A voz vinha bem atrás de nós, mas era impossível girar o corpo para ver quem nos fazia tantas perguntas na língua que tão bem conhecíamos.... estava escuro, muito escuro.
_Quem és tu que nos fala? Perguntou Ashtar. _Porque estás aqui?
_Sou Isha, da Casa dos Salubre, faz muito tempo que aqui estou. Tanto tempo que perdi a conta... é impossível fugir daqui sozinho... mas, agora, somos três... talvez possamos.
Meu amigo disse então:
_Sou Ashtar, um Gangrel.
A voz o interrompeu dizendo:
_Que tu és um Gangrel, não tinha dúvidas, vê-se por tua aparência. Tanto tempo aqui e meus olhos já se acostumaram à escuridão.
A conversa se alongou por mais um tempo. Ashtar informou de onde viera e disse que seu Senhor era Marduck. Ele parecia animado por encontrar uma possível parceria e disse:
_É verdade... agora somos três, talvez se torne bem mais fácil fugir.
Dizendo isto, começou a estudar as possibilidades de se soltar. Tentou algumas manobras, mas sem sucesso. Analisou, então, todas as formas e achou por bem puxar com toda a força a mão esquerda das correntes... ele quebraria o pulso, para se soltar. Pensou assim e agiu... virou uma cambalhota e arrebentou a corrente do teto, ficando de cabeça para baixo.
Com uma mão solta e quebrada, tentou um movimento acrobata jogando o corpo para cima, mas não obteve sucesso. Tentou várias vezes até que optou por forçar seu peso para baixo e acabou por conseguir desprender uma parte de pedra do teto onde estava fixada a corrente que o prendia. Eu ficava sempre muito assombrada com sua força de vontade e coragem. Ele era, sem dúvida, determinado. Nada o detinha... eu... me sentia impotente diante de tanta força.A dor que ele sentia era grande, eu sabia, mas ele jamais desanimava. Caminhou até onde Isha estava preso e o libertou puxando-o também pelas correntes para que se desprendessem do teto. Já livre, em agradecimento, o Salubre tocou sua mão quebrada e curou todos os seus danos, deixando meu amigo perfeito novamente.
Somente eu ainda estava presa ao teto. Com as manobras sucessivas de Ashtar e a força empregada em cada uma delas, o teto ameaçava a ceder. Se ele demorasse a me tirar dali, eu seria soterrada. Ele se concentrou então e, em questão de segundos, me arrancou do teto com correntes e tudo, agora estávamos os três livres. Mas o teto veio abaixo, desabando tudo sobre nós e por muito pouco não fomos soterrados.
_Sigam-me! Disse Isha. _Rápido! Só temos uma chance.
Seguimos o vampiro por corredores e vestíbulos escuros até chegarmos a uma janela imensa. Ele nos olhou e disse:
_Saltem, não há outra saída! _ E sem dizer mais nada, se jogou no buraco negro e sem fundo que se abria aos nossos olhos.
Por uns segundos exitamos, não sabíamos o que nos esperava lá embaixo... mas, se permanecêssemos na indecisão, seríamos presos. Assim, eu que ainda estava com as mãos ligadas às correntes, me agarrei ao pescoço de Ashtar que, esperando que encontrássemos algo que abrandasse nossa queda, se jogou atrás de Isha em meio à escuridão.
Foi um longo mergulho... o suficiente para dar tempo de pensarmos coisas. O que Ashtar tinha em mente, eu não sabia. A minha, estava preenchida com a imagem de Zathar. Ele estaria sempre comigo... e me lembrei dos seus ensinamentos, de como alimentara a minha fome pelo belo, me mostrando como cultivar as mais variadas espécies de flores em canteiros ao redor da minha cabana. E de suas palavras gentis, enquanto me observava trabalhar com a terra, dizendo: “Minha criatura, constrói para ti um jardim rodeado de canteiros... preencha teu olhar com todas as flores que tua visão puder alcançar, pois não convém privar-se de nenhuma beleza”.
De repente, meu corpo e o de Ashtar cortaram um espelho d’água e mergulhamos fundo, bem fundo. Segura ao seu pescoço eu mal podia ajudar meu amigo a nadar. Entretanto, ele fez algo por mim, mais uma vez, e ainda por algum tempo, até emergirmos numa lagoa. Lá na frente, Isha já atingia a margem e corria para uma floresta que se estendia ao fundo. Seguimos seus passos e entramos mata a dentro. Em terra firme, tirei os braços do pescoço do meu amigo e pedi que ele me quebrasse as correntes. Ele se concentrou para não me ferir, sabia quanta força teria que usar para fazê-lo. Minha sina seria estar para sempre acorrentada????
Agora, o mais premente era retirar aquele maldito colar... mas ele estava colado à nossa pele e quando o tocávamos ele nos queimava. Ashtar se livrou do que estava em seu pescoço, puxando tudo, queimando as mãos e o pescoço, destruindo o colar. Roguei que retirasse também aquele presente maldito que estava em meu pescoço e que possuía o encanto de neutralizar meus poderes. Para tanto, direcionei seus passos um a um. Pedi que usasse uma de suas garras para cortar com delicadeza os fios de algodão trançados, que passava entre as contas. Assim ele o fez. Rompidos os fios, as contas cairam uma a uma sucessivamente. Mas ainda haviam cerca de 10 contas que estavam coladas ao meu pescoço.
_Não tenha medo de me ferir, meu amigo, use uma de suas garras, a mais fina delas, corte e retire a pele da minha nuca onde estão presas as contas. Ele me olhou indeciso... era rude como uma fera, mas laços fortes já nos mantinham ligados e ele receava me machucar. Fui incisiva, no entanto, e o convenci que precisava me livrar daquilo rápido. Com a ponta de sua garra mais fina, ele cortou e separou a pele detrás do meu pescoço e a retirou junto com as contas. Seus olhos brilharam ao ver meu sangue... mas ele se deteve.
Uma vez livre de tudo, corremos entre as árvores, eu tentando encontrar Isha, que estava distante e Ashtar dizendo: _ "correrei atrás da maior criatura que eu encontrar". Ele estava com fome e bastante queimado pelo colar, pecisava se fortalecer. Eu pensava que não podíamos nos perder de Isha. Só ele poderia nos ajudar. Correndo, batemos em algo que parecia uma pequena colina acinzentada... era um elefante gigantesco. Ele tinha quatro presas imensas do mais puro marfim, uma tromba enorme e parecia distraído se alimentando das folhas nos galhos mais altos das árvores. Nos escondemos entre as árvores para decidir o que faríamos...
Ashtar então se agarrou à uma das pernas do paquiderme e subiu até sua barriga... tentou cortar o couro do animal para alcançar seu interior e matá-lo, mas o couro era muito duro e espesso. O elefante começou a urrar. Percebendo quanto era duro o couro do animal, Ashtar subiu até sua cabeça e rasgou seus olhos.
Desesperado, ele gritou de dor e começou a bater a cabeça, arremessando-a contra o caule de uma árvore enorme e de tronco muito grosso. Ashtar teve que se segurar para não cair. Muito sangue jorrava através dos olhos do paquiderme. Ashtar acertou-lhe golpes fortíssimos, mas ele não caía. Ao longe, ouvíamos urros semelhantes ao dele e sentíamos a terra tremer sob nossos pés... uma manada de elefantes, talvez tão grandes e fortes quanto aquele vinha em nossa direção.Isha surgiu de repente, tocou a pata do animal com a mão o neutralizou e fez com que tombasse finalmente.
O paquiderme caiu ao solo fazendo grande barulho. Pequenos animais se assustaram e deixaram o local imediatamente. Aves nos galhos das árvores voaram rápidas para longe e o sangue jorrou do corpo inanimado.
Neste momento a terra começou a tremer... Parei por um momento para discernir o que acontecia, e vi uma manada de elefantes tão grandes quanto aquele que jazia no chão. Eles vinham para clamar pela vida de seu possível líder. Então, saímos as pressas. Ashtar, metamorfoseado em corvo me levava consigo. Um dos elefantes quase nos alcançou na subida do vôo, por pouco nos derrubou. Isha permaneceu quieto no local, escondido debaixo de seu corpo. Aos poucos, os elefantes reunidos ao redor do companheiro morto, foram se afastando, com urros tristes pela perda de um dos seus.
Meus amigos decidiram então se alimentar. Há muito tempo faminta, pensei em me aproximar e fazer o mesmo, mas a expressão no rosto deles não era das melhores. Permaneci observando de longe. Eu tinha que acalmar a besta dentro de mim para não sair correndo e me jogar sobre o animal, como eles se jogavam. Era uma arte controlar a besta quando ela se enfurecia. Mas, naquele momento, muito a contragosto, me deixei levar pelo desejo de sangue e minha necessidade de sobrevivência falou mais alto. Corri, então, na direção do alimento como nunca havia feito antes.Era um sangue horroroso... seu gosto era horrível, jamais provara algo tão ruim... mas eu precisava continuar viva.
Fortalecidos, fugimos rápido. Reunidos, decidimos que a única saída seria voltar ao palácio. Pensando assim, mergulhamos fundo no espelho d’água do lago e submergimos. Isha seguia à frente como sempre. Na nossa direção, crocodilos gigantes, peixes disformes e criaturas que jamais havíamos visto... se aproximavam ferozes mas, inacreditavelmente, não faziam nada ao chegar perto de nós e, apenas, nadavam noutra direção
Isha nos fez novamente o sinal para subirmos à tona, e nadamos para a superfície. Lá em cima, nos vimos num dos fossos do palácio. A noite estava mais escura do que todas as outras e poderíamos nos entrar sem sermos vistos pelos vestíbulos. Mas, à entrada do palácio, guardando a porta principal, estava um dos soldados. Ashtar estava tão determinado a fugir dali em segurança que se lançou sobre o homem e num golpe certeiro o degolou.
Nos esgueirando entre as sombras, entramos no palácio, de sala em sala, entramos em uma onde haviam alguns soldados. Adentramos por uma porta traseira e não fomos vistos. Mas, por infelicidade, Isha pisou em algo que nos denunciou e fomos descobertos. Ele estava bem à frente e pode correr para fora do aposento. Nós, no entanto, ficamos ali frente a frente com os soldados.
_Pegue a mesa que está no centro, Ashtar, gire-a na mão e procure atingir o maior número possível deles. Eu disse isto e aguardei sua decisão. Ele bem que tentou, mas era uma mesa enorme, maciça, pesada demais, até para alguém como ele que conseguira acabar com um elefante gigante. Então ele a quebrou ao meio e arremessou uma de suas metades, na direção dos guardas. Alguns caíram, outros conseguiram desviar. Isha voltou e paralizou um a um ao colocar sua mão na direção de suas cabeças. Ele os paralizava e Ashtar os abatia. E nos vimos livres, para correr para outra sala.
Lá dentro o homem do manto nem teve tempo de esboçar qualquer movimento, pois Ashtar se jogou para cima dele rápido que nem uma flecha, enquanto Isha roubava do mago um amuleto que ele trazia sempre consigo e o livro de magia que havíamos visto ainda na masmorra. Rapidamente, Isha abriu o livro e apontando o amuleto na nossa direção disse as mais doces palavras que poderia desejar ouvir:
_Querem voltar para casa? Ashtar imediatamente disse que sim e encostou sua mão na mão do vampiro Salubre. Em seguida, ele olhou para mim e estendeu a mão na minha direção. Eu a toquei receosa e ele me apressou... nada mais vi... fomos teletransportados
Estávamos, de repente, andando em uma campina, em meio a uma selva, completamente descansados e sem nenhum temor. Parecia que, finalmente, caminhávamos de volta para casa. À nossa frente, um homem de pele fosca e negra como carvão, com o corpo coberto por símbolos variados, face desfigurada e horrenda, sem pálpebras e lábios. Acima dos olhos negros como o ébano, um terceiro olho, este com pálpebras normais e roxo... trajava um manto todo rasgado e olhou fundo em nossos olhos...
À volta, haviam muitos soldados e, à direita do trono, um homem coberto por um manto que não deixava à mostra seu rosto. Sua postura e lugar junto ao trono indicavam que ele possuía muitos poderes, como se fosse um conselheiro do Rei.Os soldados e os demais presentes à sala do trono mantinham-se curvos diante do monarca. Eu, me ajoelhei e abaixei a cabeça em sinal de respeito. Ashtar não se ajoelhou, mas se curvou numa leve reverência.
O Rei disse algumas palavras ao homem vestido com o manto e este pegou um colar e me ofereceu como presente. Agradeci com um sorriso, beijei o colar e o coloquei ao pescoço. Enquanto procurava algo que pudesse retribuir tanta gentileza, percebi que Ashtar recebera um colar semelhante e o colocara também.Eram colares idênticos e simples, de cordas finas trançadas, onde estavam enfiadas contas vermelhas parecidas com sementes, ou pedacinhos de madeira pintada. Em agradecimento ao presente, coloquei minha mão direita sobre o coração e fiz um gesto na direção do Chefe Supremo daquele lugar, como se quisesse dizer que meus sentimentos positivos, guardados no coração, seriam dele.
Imediatamente após, do trono, o homem falou algumas palavras ao outro do manto e gesticulou com os braços abertos em linha reta, para o centro. Em seguida, virou -os para baixo e, surpresa, tive a certeza que ele ordenara que fôssemos aprisionados. Neste instante, caímos paralisados ao chão. Nada no meu corpo se mexia, me sentia como se estivesse presa ao solo. Mais algumas palavras, e fomos arrastados pelos soldados através dos corredores do castelo até uma masmorra escura e úmida.
Lá dentro, pude perceber várias correntes pendidas do teto muito alto e algumas camas. Os soldados prenderam nossos pulsos às correntes e ficamos pendurados por elas. Algum tempo depois vimos entrar na masmorra o homem vestido com o manto. Ele trazia um livro, o abriu, começou a ler e gesticular com as mãos e os dedos longos e finos. Em seguida, começou a nos interrogar. Queria saber quem éramos, de onde vínhamos e qual o nosso objetivo ali.Me apresentei como Layla, A Filha da Noite, e disse a ele que tinha vindo do oeste do grande império. Mas, ele me olhou e disse irônico:
_Hummm... cabelos longos e negros, maçãs do rosto proeminentes, olhos amendoados, compleição física delicada... sem dúvida és uma nativa de Catai.
_Não sou quem pensas, Senhor, estás enganado. Estás tendo uma miragem.
Assombrado, Ashtar virou a cabeça na minha direção. Ele já conhecera minha verdadeira identidade, mas não era assim que eu me apresentava naquele momento. Entendemos, então, que os poderes daquele homem eram muito superiores aos que pensávamos, ele sabia quem eu era. A prova disso veio rápida:
_Tudo que vem acontecendo de negativo neste e noutros lugares, vem de ti, criatura. Um grande exército anda atrás da tua cabeça. Mais cedo ou mais tarde tua existência chegará a termo e ficaremos todos muito melhores do que estamos agora.
Antes que eu pudesse dizer algo, ele se dirigiu a Ashtar com as mesmas perguntas que fizera a mim e o meu amigo lhe disse quem era, onde era sua casa, e que tínhamos sido jogados naquele lugar pela força de muitos raios.Satisfeito com o que descobrira, o homem virou as costas e saiu. Eu pensei que pelo menos ali estaríamos protegidos dos raios do sol. Mas, por quanto tempo? Como fugiríamos?
Assim que fomos deixados sós na masmorra, uma voz soou às nossas costas:
_O que fizeram para aqui estarem acorrentados? Sabem que daqui não poderão fugir? Eu já nem me lembro mais de quanto tempo estou nesta masmorra.
A voz vinha bem atrás de nós, mas era impossível girar o corpo para ver quem nos fazia tantas perguntas na língua que tão bem conhecíamos.... estava escuro, muito escuro.
_Quem és tu que nos fala? Perguntou Ashtar. _Porque estás aqui?
_Sou Isha, da Casa dos Salubre, faz muito tempo que aqui estou. Tanto tempo que perdi a conta... é impossível fugir daqui sozinho... mas, agora, somos três... talvez possamos.
Meu amigo disse então:
_Sou Ashtar, um Gangrel.
A voz o interrompeu dizendo:
_Que tu és um Gangrel, não tinha dúvidas, vê-se por tua aparência. Tanto tempo aqui e meus olhos já se acostumaram à escuridão.
A conversa se alongou por mais um tempo. Ashtar informou de onde viera e disse que seu Senhor era Marduck. Ele parecia animado por encontrar uma possível parceria e disse:
_É verdade... agora somos três, talvez se torne bem mais fácil fugir.
Dizendo isto, começou a estudar as possibilidades de se soltar. Tentou algumas manobras, mas sem sucesso. Analisou, então, todas as formas e achou por bem puxar com toda a força a mão esquerda das correntes... ele quebraria o pulso, para se soltar. Pensou assim e agiu... virou uma cambalhota e arrebentou a corrente do teto, ficando de cabeça para baixo.
Com uma mão solta e quebrada, tentou um movimento acrobata jogando o corpo para cima, mas não obteve sucesso. Tentou várias vezes até que optou por forçar seu peso para baixo e acabou por conseguir desprender uma parte de pedra do teto onde estava fixada a corrente que o prendia. Eu ficava sempre muito assombrada com sua força de vontade e coragem. Ele era, sem dúvida, determinado. Nada o detinha... eu... me sentia impotente diante de tanta força.A dor que ele sentia era grande, eu sabia, mas ele jamais desanimava. Caminhou até onde Isha estava preso e o libertou puxando-o também pelas correntes para que se desprendessem do teto. Já livre, em agradecimento, o Salubre tocou sua mão quebrada e curou todos os seus danos, deixando meu amigo perfeito novamente.
Somente eu ainda estava presa ao teto. Com as manobras sucessivas de Ashtar e a força empregada em cada uma delas, o teto ameaçava a ceder. Se ele demorasse a me tirar dali, eu seria soterrada. Ele se concentrou então e, em questão de segundos, me arrancou do teto com correntes e tudo, agora estávamos os três livres. Mas o teto veio abaixo, desabando tudo sobre nós e por muito pouco não fomos soterrados.
_Sigam-me! Disse Isha. _Rápido! Só temos uma chance.
Seguimos o vampiro por corredores e vestíbulos escuros até chegarmos a uma janela imensa. Ele nos olhou e disse:
_Saltem, não há outra saída! _ E sem dizer mais nada, se jogou no buraco negro e sem fundo que se abria aos nossos olhos.
Por uns segundos exitamos, não sabíamos o que nos esperava lá embaixo... mas, se permanecêssemos na indecisão, seríamos presos. Assim, eu que ainda estava com as mãos ligadas às correntes, me agarrei ao pescoço de Ashtar que, esperando que encontrássemos algo que abrandasse nossa queda, se jogou atrás de Isha em meio à escuridão.
Foi um longo mergulho... o suficiente para dar tempo de pensarmos coisas. O que Ashtar tinha em mente, eu não sabia. A minha, estava preenchida com a imagem de Zathar. Ele estaria sempre comigo... e me lembrei dos seus ensinamentos, de como alimentara a minha fome pelo belo, me mostrando como cultivar as mais variadas espécies de flores em canteiros ao redor da minha cabana. E de suas palavras gentis, enquanto me observava trabalhar com a terra, dizendo: “Minha criatura, constrói para ti um jardim rodeado de canteiros... preencha teu olhar com todas as flores que tua visão puder alcançar, pois não convém privar-se de nenhuma beleza”.
De repente, meu corpo e o de Ashtar cortaram um espelho d’água e mergulhamos fundo, bem fundo. Segura ao seu pescoço eu mal podia ajudar meu amigo a nadar. Entretanto, ele fez algo por mim, mais uma vez, e ainda por algum tempo, até emergirmos numa lagoa. Lá na frente, Isha já atingia a margem e corria para uma floresta que se estendia ao fundo. Seguimos seus passos e entramos mata a dentro. Em terra firme, tirei os braços do pescoço do meu amigo e pedi que ele me quebrasse as correntes. Ele se concentrou para não me ferir, sabia quanta força teria que usar para fazê-lo. Minha sina seria estar para sempre acorrentada????
Agora, o mais premente era retirar aquele maldito colar... mas ele estava colado à nossa pele e quando o tocávamos ele nos queimava. Ashtar se livrou do que estava em seu pescoço, puxando tudo, queimando as mãos e o pescoço, destruindo o colar. Roguei que retirasse também aquele presente maldito que estava em meu pescoço e que possuía o encanto de neutralizar meus poderes. Para tanto, direcionei seus passos um a um. Pedi que usasse uma de suas garras para cortar com delicadeza os fios de algodão trançados, que passava entre as contas. Assim ele o fez. Rompidos os fios, as contas cairam uma a uma sucessivamente. Mas ainda haviam cerca de 10 contas que estavam coladas ao meu pescoço.
_Não tenha medo de me ferir, meu amigo, use uma de suas garras, a mais fina delas, corte e retire a pele da minha nuca onde estão presas as contas. Ele me olhou indeciso... era rude como uma fera, mas laços fortes já nos mantinham ligados e ele receava me machucar. Fui incisiva, no entanto, e o convenci que precisava me livrar daquilo rápido. Com a ponta de sua garra mais fina, ele cortou e separou a pele detrás do meu pescoço e a retirou junto com as contas. Seus olhos brilharam ao ver meu sangue... mas ele se deteve.
Uma vez livre de tudo, corremos entre as árvores, eu tentando encontrar Isha, que estava distante e Ashtar dizendo: _ "correrei atrás da maior criatura que eu encontrar". Ele estava com fome e bastante queimado pelo colar, pecisava se fortalecer. Eu pensava que não podíamos nos perder de Isha. Só ele poderia nos ajudar. Correndo, batemos em algo que parecia uma pequena colina acinzentada... era um elefante gigantesco. Ele tinha quatro presas imensas do mais puro marfim, uma tromba enorme e parecia distraído se alimentando das folhas nos galhos mais altos das árvores. Nos escondemos entre as árvores para decidir o que faríamos...
Ashtar então se agarrou à uma das pernas do paquiderme e subiu até sua barriga... tentou cortar o couro do animal para alcançar seu interior e matá-lo, mas o couro era muito duro e espesso. O elefante começou a urrar. Percebendo quanto era duro o couro do animal, Ashtar subiu até sua cabeça e rasgou seus olhos.
Desesperado, ele gritou de dor e começou a bater a cabeça, arremessando-a contra o caule de uma árvore enorme e de tronco muito grosso. Ashtar teve que se segurar para não cair. Muito sangue jorrava através dos olhos do paquiderme. Ashtar acertou-lhe golpes fortíssimos, mas ele não caía. Ao longe, ouvíamos urros semelhantes ao dele e sentíamos a terra tremer sob nossos pés... uma manada de elefantes, talvez tão grandes e fortes quanto aquele vinha em nossa direção.Isha surgiu de repente, tocou a pata do animal com a mão o neutralizou e fez com que tombasse finalmente.
O paquiderme caiu ao solo fazendo grande barulho. Pequenos animais se assustaram e deixaram o local imediatamente. Aves nos galhos das árvores voaram rápidas para longe e o sangue jorrou do corpo inanimado.
Neste momento a terra começou a tremer... Parei por um momento para discernir o que acontecia, e vi uma manada de elefantes tão grandes quanto aquele que jazia no chão. Eles vinham para clamar pela vida de seu possível líder. Então, saímos as pressas. Ashtar, metamorfoseado em corvo me levava consigo. Um dos elefantes quase nos alcançou na subida do vôo, por pouco nos derrubou. Isha permaneceu quieto no local, escondido debaixo de seu corpo. Aos poucos, os elefantes reunidos ao redor do companheiro morto, foram se afastando, com urros tristes pela perda de um dos seus.
Meus amigos decidiram então se alimentar. Há muito tempo faminta, pensei em me aproximar e fazer o mesmo, mas a expressão no rosto deles não era das melhores. Permaneci observando de longe. Eu tinha que acalmar a besta dentro de mim para não sair correndo e me jogar sobre o animal, como eles se jogavam. Era uma arte controlar a besta quando ela se enfurecia. Mas, naquele momento, muito a contragosto, me deixei levar pelo desejo de sangue e minha necessidade de sobrevivência falou mais alto. Corri, então, na direção do alimento como nunca havia feito antes.Era um sangue horroroso... seu gosto era horrível, jamais provara algo tão ruim... mas eu precisava continuar viva.
Fortalecidos, fugimos rápido. Reunidos, decidimos que a única saída seria voltar ao palácio. Pensando assim, mergulhamos fundo no espelho d’água do lago e submergimos. Isha seguia à frente como sempre. Na nossa direção, crocodilos gigantes, peixes disformes e criaturas que jamais havíamos visto... se aproximavam ferozes mas, inacreditavelmente, não faziam nada ao chegar perto de nós e, apenas, nadavam noutra direção
Isha nos fez novamente o sinal para subirmos à tona, e nadamos para a superfície. Lá em cima, nos vimos num dos fossos do palácio. A noite estava mais escura do que todas as outras e poderíamos nos entrar sem sermos vistos pelos vestíbulos. Mas, à entrada do palácio, guardando a porta principal, estava um dos soldados. Ashtar estava tão determinado a fugir dali em segurança que se lançou sobre o homem e num golpe certeiro o degolou.
Nos esgueirando entre as sombras, entramos no palácio, de sala em sala, entramos em uma onde haviam alguns soldados. Adentramos por uma porta traseira e não fomos vistos. Mas, por infelicidade, Isha pisou em algo que nos denunciou e fomos descobertos. Ele estava bem à frente e pode correr para fora do aposento. Nós, no entanto, ficamos ali frente a frente com os soldados.
_Pegue a mesa que está no centro, Ashtar, gire-a na mão e procure atingir o maior número possível deles. Eu disse isto e aguardei sua decisão. Ele bem que tentou, mas era uma mesa enorme, maciça, pesada demais, até para alguém como ele que conseguira acabar com um elefante gigante. Então ele a quebrou ao meio e arremessou uma de suas metades, na direção dos guardas. Alguns caíram, outros conseguiram desviar. Isha voltou e paralizou um a um ao colocar sua mão na direção de suas cabeças. Ele os paralizava e Ashtar os abatia. E nos vimos livres, para correr para outra sala.
Lá dentro o homem do manto nem teve tempo de esboçar qualquer movimento, pois Ashtar se jogou para cima dele rápido que nem uma flecha, enquanto Isha roubava do mago um amuleto que ele trazia sempre consigo e o livro de magia que havíamos visto ainda na masmorra. Rapidamente, Isha abriu o livro e apontando o amuleto na nossa direção disse as mais doces palavras que poderia desejar ouvir:
_Querem voltar para casa? Ashtar imediatamente disse que sim e encostou sua mão na mão do vampiro Salubre. Em seguida, ele olhou para mim e estendeu a mão na minha direção. Eu a toquei receosa e ele me apressou... nada mais vi... fomos teletransportados
Estávamos, de repente, andando em uma campina, em meio a uma selva, completamente descansados e sem nenhum temor. Parecia que, finalmente, caminhávamos de volta para casa. À nossa frente, um homem de pele fosca e negra como carvão, com o corpo coberto por símbolos variados, face desfigurada e horrenda, sem pálpebras e lábios. Acima dos olhos negros como o ébano, um terceiro olho, este com pálpebras normais e roxo... trajava um manto todo rasgado e olhou fundo em nossos olhos...

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